Nem todo problema de marcenaria está na escolha do material ou no desenho do móvel.
Muitas vezes, ele começa na proporção do espaço.
Um exemplo muito comum está relacionado à altura das portas de armário.
A limitação que o material impõe
A chapa padrão de MDF possui altura máxima de aproximadamente 2,75 m.
Isso significa que a porta do armário nunca pode ultrapassar essa medida.
Além da porta em si, ainda existem dois elementos que consomem altura:
- o rodapé
- a vista superior (acabamento de fechamento)

Quando o pé-direito do ambiente é muito alto, esses dois elementos acabam crescendo demais para “completar” o espaço — e é aí que o projeto começa a perder leveza.
O móvel funciona, mas visualmente fica pesado.
O rodapé fica alto demais, a vista superior vira um bloco grande, e o armário deixa de parecer integrado à arquitetura.
Quando o problema não está no móvel, mas no espaço
Esse é o tipo de situação que não se resolve apenas no desenho da marcenaria.
Ela precisa ser pensada antes, ainda na obra.
Quando arquitetura e marcenaria conversam nesse momento, algumas soluções delicadas podem ser adotadas:
- adequar o pé-direito final do ambiente
- trabalhar forros ou rebaixos estratégicos
- definir alturas que favoreçam a leitura do móvel
Essas decisões fazem com que rodapé e vista superior fiquem proporcionais, preservando a elegância do projeto.
Quando o pé-direito alto faz parte da proposta
Em alguns casos, o pé-direito elevado é intencional e faz parte do conceito do espaço.
Nessas situações, a solução não é “forçar” o armário até o teto, mas tratar o fechamento superior como detalhe arquitetônico.
Elementos como:
- ripados
- painéis vazados
- recuos intencionais
- jogos de profundidade
permitem que a marcenaria respeite os limites do material sem comprometer o desenho.
O móvel deixa de competir com a altura do ambiente e passa a dialogar com ela.

Proporção é o que faz o projeto parecer bem resolvido
Quando esses detalhes são pensados no momento certo, o resultado é claro:
- armários mais elegantes
- acabamentos mais leves
- leitura visual equilibrada
São decisões que muitas vezes passam despercebidas para quem não é da área, mas que fazem toda a diferença na sensação final do espaço.
Na marcenaria, nem sempre é o tamanho que impressiona.
Na maioria das vezes, é a proporção que define se o projeto funciona — ou não.
